Funções do Compliance Officer

A função Compliance permeia toda a organização, abrange todos os processos, envolve todas as pessoas e a agregação de valor cumpre relevante papel para a sua sustentabilidade. Colocar a pessoa certa no lugar certo representa uma atitude necessária, mas não suficiente. Garantir o sucesso desse profissional, no dia a dia, ajudando-o a vencer os desafios e atender às expectativas dos demais integrantes da empresa torna-se um passo fundamental para o êxito de todo o programa.

O profissional deverá mostrar-se com conhecimento adequado para o exercício da função, seja nos aspectos técnicos do Compliance, quanto no cotidiano da organização, incluindo processos, pessoas, estratégias, desafios, metas, concorrentes e mercado, dinâmica dos negócios, entre outros. Além da qualificação, deverá ter um perfil que lhe permita agir proativamente no dia a dia, seja reconhecido e respeitado, tenha senioridade, boa capacidade de comunicação e convencimento e relacione-se em todos os níveis hierárquicos de forma apropriada.

O ambiente na empresa também deverá ser propício para o Compliance florescer, com um clima organizacional favorável, governança e interfaces bem definidas, profissionais interessados em cumprir seus deveres, Alta Direção apoiando de fato o Programa de Compliance e a maioria possuindo qualidades alinhadas à ética, moral e integridade.

Com este cenário, cabe ao profissional de Compliance assumir diferentes papéis de forma a obter sucesso nas várias situações no seu dia a dia:

Conselheiro

Usa seus conhecimentos técnicos e experiência a fim de apoiar ou responder de maneira adequada a dúvidas que possam surgir.

Facilitador

Não se espera dos especialistas de Compliance serem obstáculos, mas sim parceiros. Eles precisam colocar-se ao lado dos demais participantes da empresa, como verdadeiros membros de suas equipes, na busca de soluções cabíveis: atingir os objetivos da área e, ao mesmo tempo, garantir a presença dos princípios éticos e de integridade.

Defensor

Há situações, entretanto, que o agente do Compliance deve estar preparado para defender os princípios do programa, de forma incondicional.

Sensibilizador

Utilizando seu poder de convencimento, deve reunir argumentos consistentes e convincentes, alinhando as pessoas da empresa na mesma direção preconizada pelo Programa de Compliance. Cabe destacar a relevância desse papel, não só durante a implementação do programa, mas principalmente na manutenção deste, pois manter a "chama acesa" e envolver os novos funcionários admitidos na organização é um fator crítico para assegurar a perenidade desses princípios, isto é, a sustentabilidade do Compliance.

Os quatro papéis apresentados não são dissociados. No cotidiano, o especialista do Compliance precisará "flutuar" entre eles para ser realmente eficiente e agregar valor à organização. Além do mais, em determinadas situações poderá haver uma "zona cinzenta" e a combinação de atitudes poderá ser necessária.

Não deve haver preocupação com aspectos teóricos para atuar em cada situação, mas sim como o representante do Compliance está preparado para enfrentar os diversos cenários e agir de forma natural e eficiente. Contando com o perfil apropriado e a coexistência dos elementos citados (conhecimento, atitude e ambiente), com o passar do tempo, ele ganhará maturidade, experiência e irá "trocar de chapéu" automaticamente, como se anda de bicicleta sem pensar em pedalar e manejar o guidão.

Esse texto foi baseado no conteúdo do livro "Compliance – A excelência na prática" de Wagner Giovanini. Para saber mais, acesse a página do livro aqui.